quarta-feira, 3 de julho de 2019

Matangi/Maya/M.I.A

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Título: Matangi/Maya/M.I.A
Estreia: Setembro de 2018
Diretor: Steve Loveridge
Duração: 1h 40min
Gênero: Documentário

  Mathangi Maya Arulpragasam, a M.I.A., nasceu no Sri Lanka em meio à uma Guerra Civil que durou 26 anos, tendo fim somente em 2009. O conflito teve origem após a independência do país da Grã-Bretanha e foi motivado pela opressão e segregação por parte do povo cingalês, maioria no país, contra os tâmeis, etnia à qual a cantora pertence. Com a justificativa de que o povo tâmil recebia tratamento preferencial dos britânicos, os cingaleses dificultavam sua entrada no mercado de trabalho e em universidades públicas, por exemplo.

  Na década de 70, surgiu o Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), grupo militarizado que exigia do governo a criação de um Estado tâmil. Em 1983, o grupo entrou em guerra contra as forças armadas do país, dando início a um conflito que duraria 26 anos e causaria a morte de aproximadamente 70 mil pessoas. Por seu pai ser um dos líderes do movimento rebelde, M.I.A. foi obrigada a fugir do país ainda criança e se refugir com sua mãe e irmãos em Londres. Como sempre teve um senso de documentarista, ao longo de Matangi/Maya/M.I.A. vemos registros feitos pela própria cantora durante vários momentos de sua vida, desde a fuga para a Inglaterra até o clipe de Borders, lançado em 2016. 
Resultado de imagem para Matangi/Maya/M.I.A.  M.I.A. nos entrega suas memórias mais pessoais, deixando-nos imersos em seu universo. Vemos, por exemplo, sua volta ao Sri Lanka na adolescência em busca de resgatar suas origens e conhecer de perto a realidade de seu povo, sua descoberta de uma forma de expressão na música e os bastidores de seu sucesso repentino com o single Galang e o álbum Arular. Mas, acima de tudo, vemos o surgimento de uma popstar necessária para os dias atuais: uma jovem refugiada militante, polêmica, inovadora e destemida. 
  Quando nenhum grande jornal falava sobre o genocídio de tâmeis no Sri Lanka, M.I.A., no auge de seu sucesso nos EUA, defendia seu povo em todas as entrevistas que dava. Tentava fazer com que o mundo desse alguma atenção para o que estava acontecendo no seu país, mesmo que isso a fizesse ser censurada e chamada de terrorista. Além de mostrar a hipocrisia e o descaso dos americanos com as nações menos ricas, Maya dá uma lição sobre o que é ser uma artista de verdade: é, além de inovar e ser autêntica, dar voz aos que são silenciados.
  Em suma, Matangi/Maya/M.I.A. é um manifesto pelas nações esquecidas e pelos refugidos que cativa o espectador e prova que essa britânica de 43 anos é uma das maiorias artistas das últimas décadas.

Nota: 4.5/5

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